4 de jan de 2012

Odociaba, Mãe Yemanja!

Ilustração de Seaspell.

"Poderosa força das águas. Inaê, Janaína, Sereia do Mar. Saravá minha Mãe Iemanjá! Leva para as profundezas do teu mar sagrado. Odoiá... Todas as minhas desventuras e infortúnios. Traz do teu mar todas as forças espirituais para alento de nossas necessidades. Paz, esperança, Odociabá... Saravá, minha Mãe Iemanjá! Odociabá..."

Yemanja, Yabá sincretizada com Nossa Senhora dos Navegantes, Nossa Senhora da Glória e Nossa Senhora da Conceição (comemorada em 2 de fevereiro, 15 de agosto de 8 de dezembro, respectivamente), de acordo com cada região de culto, é a Mãe das Águas, a Mãe Rainha de todas as cabeças, pois acredita-se que ela é a Mãe que rege nossas vidas assim como Oxalá é o Pai - e "todas as cabeças pertencem a Oxalá."

As lendas são muitas, mas em todas Yemanja é a mãe amorosa que cuida e luta por seus filhos, mesmo que por eles maltratada. Na Umbanda ela rege a Linha das Águas, o Segundo Raio ou Vibração e não há um Orixá contraposto. Sereias, Marujos ou Marinheiros, Pescadores são alguns falangeiros que trabalham na Linha das Águas e chamados de Povo D'Água, atuando na Legião de Caboclos, em suas diversas falanges.

"Essa linha é também conhecida como Povo d’Água. Iemanjá significa a energia geradora, a divina mãe do universo, o eterno feminino, a divina mãe na Umbanda. As entidades dessa linha gostam de trabalhar com água salgada ou do mar, fixando vibrações, de maneira serena. Seus pontos cantados têm um ritmo muito bonito, falando sempre no mar e em Orixás da dita linha." Fonte: http://povodearuanda.wordpress.com/2007/01/31/as-sete-linhas
Entre nós brasileiros, há a tradição de se cultuar Yemanjá no último dia do ano, oferencendo presentes ao mar, agradecendo pelo ano que se vai e pedindo bençãos ao que chega.

Kalunga Grande é o Mar, nome dado ao campo de atuação desta Grande Mãe, mãe dos peixes e águas salgadas, pois que também somos peixes gerados na água salgada do ventre, que também pode ser comparado ao Manguezal, berço da vida marinha, campo de atuação de Mãe Nanã Burukê.


Yemanjá é meu Olori, dona da minha cabeça, responsável por minha reencarnação atual. Assim como com muitos de seus filhos e filhas, nos governa ora com a força das ondas, ora com a tranquilidade do mar profundo. Assim como essa poderosa força da natureza, também podem ser instáveis como o mar, em ondas destruidoras ou com a placidez sonolenta da calmaria.

Odoiabá, Mãe Yemanjá! Salve Rainha do Mar!

Canto de Areia
(Clara Nunes)

É água no mar é maré cheia, oi…
Na areia, oi… na areia.
É água no mar!
É água no mar é maré cheia, oi…
Na areia, oi… na areia.
Contam que toda tristeza que tem na Bahia,
Nasceu de uns olhos morenos molhados de mar.
Não sei se é conto de areia ou se é fantasia,
Que a luz da candeia alumia p’ra gente contar.
Um dia morena enfeitada de rosas e rendas,
Abriu seu sorriso de moça e pediu p’ra dançar.
A noite emprestou as estrelas bordadas de prata,
E as águas de Amaralina eram gotas de luar.
Era um peito só,
Cheio de promessa era só.
Era um peito só,
Cheio de promessa era só.
Era um peito só,
Cheio de promessa era só.
Era um peito só,
Cheio de promessa era só.
Quem foi que mandou o seu amor se fazer de canoeiro.
O vento que rola nas palmas arrasta o veleiro,
E leva p’ro meio das águas de Yemanjá,
E o mestre valente vagueia,
Olhando p’ra areia sem poder chegar.
Adeus amor!
Adeus meu amor não me espera
Porque eu já vou me embora,
P’ro reino que esconde os tesouros de minha Senhora,
Desfia colares e conchas p’ra vida passar,
E deixa de olhar p’ros veleiros,
Adeus meu amor eu não vou mais voltar!
Foi Beira Mar!
Foi Beira Mar quem chamou,
Foi Beira Mar, ê…
Foi Beira Mar. (bis)
É água no mar!
É água no mar é maré cheia, oi…
Na areia, oi… na areia. (bis)


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