5 de dez de 2012

Mangá [lançamento] - Rurouni Kenshin

Uma das ótimas coisas desse ano de 2012 (além do Fim do Mundo no próximo dia 21 - aguarde!), é o relançamento do melhor mangá que já foi publicado no Brasil - e um dos melhores já criados!

Trata-se de RUROUNI KENSHIN, lançado em 2001 no Brasil com o péssimo título "Samurai X" (pois ele havia sido franqueado dos EUA, que dera esse nome horrível - e equivocado - por conta da cicatriz no rosto de Kenshin, que não é um xis, mas uma cruz. E o personagem não é e nunca foi um samurai).

"Rurouni Kenshin, Crônicas de um Espadachim na Era Meiji", foi o primeiro trabalho do, então, jovem mangaká Nobuhiro Watsuki. Publicado na mais importante revista de mangá do Japão, a Shonen Jump, entre 1994 e 1999, rendendo 28 volumes encadernados de histórias em quadrinhos. Quer saber quanto dá isso em número de páginas? Basta fazer a continha: média de 20 páginas semanais, equivalentes a 1 episódio, que é o volume publicado na Shonen Jump, e cada encadernação, ou tankobon, tem 4 episódios . 

No Brasil, cada volume encadernado continha metade da versão japonesa, portanto aqui foram 56 volumes em publicações semanais! Algo impensável para os dias de hoje, visto que o valor de um mangá não sai por menos de dez reais!

O mangá e a história que agora é relançada aqui são os mesmos, mas não é exatamente igual à sua primeira versão brasileira. Não, e ainda bem! Pois foi isso que me fez decidir a recomeçar essa coleção, apesar de eu ter todos os 56 volumes da primeira publicação.

A editora é a mesma daquela vez, a JBC. Desta vez eles trataram essa obra épica (sim, épica!) com mais respeito, a começar pela parte física, como formato e papel. O formato é o igual ao tankobon japonês, algo próximo ao nosso A5. O papel é off-set (se não me engano, de gramatura 90). A capa é cartonada, o que confere melhor proteção ao miolo. Esta sim é uma versão para se colecionar e guardar, pois em condições climáticas normais, os livros durarão, no mínimo, 100 anos.

As outras melhorias ficaram por conta das nomenclaturas, a começar pelo título, que é o original, e o subtítulo, que é a tradução para o Português de Meiji Kenkaku Rōmantan. Os termos e diálogos sofreram novas adaptações - dizem que para melhor. Ainda não li o mangá, então não posso dar meu parecer sobre essa parte. Espero, ao menos, que eles tenham mantido a polidez nos diálogos de Kenshin. Apesar de ser um ex-assassino, o protagonista possuía muita instrução e cultura.

O relançamento se deu no início de novembro. Mas, apenas esta semana encontrei à venda nas bancas perto do meu trabalho, adquirindo o meu exemplar ontem.

O preço é o ruim dessa história... R$ 13,90. Mas, vale cada real. Não é apenas uma história em quadrinho para mero entretenimento, não mesmo! Rurouni Kenshin vai muito além disso. O mangá tem base histórica, mesclada à ficção. A história do misterioso Andarilho e seus personagens é ficcional, mas relata muitos acontecimentos sobre essa conturbada Era Meiji, que foi uma época de grandes - e sangrentas - transformações no Japão. Há, inclusive, personagens históricos que existiram na vida real, com influência na História japonesa.

Portanto, "Rurouni Kenshin, Crônicas de um Espadachim na Era Meiji" não é apenas entretenimento e diversão. O mangá tem humor, tem leveza, mas também tem partes muito tensas, muito sérias, muito autênticas. E tem História. E tem Cultura. E tem Filosofia. Kenshin Himura não é um personagem qualquer; ele tem uma sabedoria nata e uma triste mas riquíssima história de vida. E é isso que acredito ser o mais importante na Arte, seja o mangá, seja a literatura, seja o cinema, seja em qual mídia for... a Arte, para ter seu devido valor, não basta ser bonita e atraente, ela tem que instruir, precisa de conteúdo e profundidade. E o mangá do Andarilho ex-retalhador monarquista tem tudo isso!

Crônicas da Era Meiji
Criado por Nobuhiro Watsuki, o mangá original foi publicado de 1994 a 1999 na Shonen Jump, revista japonesa semanal da editora Shueisha.

Rurouni Kenshin é ambientado na era Meiji da história japonesa, que corresponde aos anos de 1868 a 1912. O período marca o início da modernização do Japão, após séculos de isolamento e disputas de poder entre senhores feudais.

Mais precisamente, o enredo começa no ano 11 da era Meiji (1878), em Shitamachi, distrito de Tokyo. O protagonista é Kenshin Himura, um samurai que lutou pela restauração da monarquia, o que representou a unificação política do Japão. Pela sua habilidade como espadachim, ficou conhecido como “Battousai, o retalhador”.

Por ser responsável por tantas mortes no passado, Kenshin torna-se um andarilho e faz a promessa de nunca mais matar. Sua arma característica é a sakabatou, espada fictícia cujo fio está na parte côncava, o que praticamente elimina o caráter letal de seus golpes.

O mangá conta com notas de tradução que fornecem informações sobre fatos históricos, leitura de nomes e caracteres mantidos em japonês, referências e curiosidades culturais. Por exemplo, uma nota explica sobre o “hanko”, que é o carimbo do ideograma do nome de família e que vale legalmente como assinatura até hoje.

Bem-sucedida, a franquia foi adaptada para uma série animada, videogames e, recentemente, longa-metragem com atores reais (live action). Fonte: Made in Japan
Prometo aqui que... se eu conseguir completar toda essa nova coleção, sortearei a coleção antiga, rs.


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