9 de abr de 2016

Esperanto, A Língua Internacional

Há quase três décadas, vi uma faixa de propaganda na Biblioteca de Bangu anunciando um curso gratuito de Esperanto... engraçado como jamais esqueci de um momento tão trivial que vivenciamos o tempo inteiro ao andar pelas ruas: ver anúncios de coisas. Lembro que na época até tive a curiosidade de descobrir do que se tratava essa tal "língua internacional", porém como não se ouvia ou via falar absolutamente nada sobre isso, achei que fosse uma bobagem religiosa qualquer. E nem preciso lembrar, mas vou, que não havia internet para se pesquisar. Caiu no limbo.

Há dez anos, quando comecei a frequentar o GPELA, um centro espírita perto de casa, esse assunto veio à tona novamente. Na época, minha mãe ainda estava por aqui, e sempre íamos às reuniões públicas juntas, e até assistimos uma palestra sobre o Esperanto, em que eu, vergonhosamente, dormi o tempo inteiro no ombro dela, do tipo "apaguei geral". Continuei ignorando a possibilidade de aprender algo novo e útil, que poderia ter feito toda a DIFERENÇA em minha vida, seja na primeira vez que "ouvi falar" de Esperanto, quanto nesse "segundo encontro" com o assunto.

(Pausa por aqui: Meu Deus do Céu! Relembrar essas coisas não vai fazer nada bem para a minha crise existencial dos 40 anos!!! - Voltando...) 

 No ano passado, 2015 (e diga-se de passagem que foi o ano mais esquisito da minha vida, ou melhor, o ano em que fui mais esquisita em toda a vida!!), quando passei a ouvir a Rádio Rio de Janeiro, tornei a me deparar, mais uma vez, com o assunto Esperanto... e, pelo visto, em uma terceira tentativa de me fazer acordar para isso! E, apesar da minha esquisitice, parece que dessa vez funcionou!

Quando no programa da Rádio Rio de Janeiro o locutor falou que a língua Esperanto é falada por milhões de pessoas em quase todos os países do mundo, achei que isso seria uma coisa muito boa para os meus livros... sim, qual o autor não sonha em ter seus livros lidos no mundo inteiro?

Essa ideia ficou na cabeça, mas lá no fundinho, onde costumam ficar todas as ideias que acho assombrosas demais para eu realizar (isto é, quase todas as ideias que tenho). Acredito que foi por conta dessa ideia que voltei a frequentar o GPELA, depois de ter me afastado do centro, definitivamente, em 2009. Sim, um erro. Mais um entre todos.

Fiquei aguardando que fosse aberta uma nova turma de Esperanto, pois sabia que ali havia o curso. Não perguntei a ninguém, nem me informei sobre, apenas esperei, como se tivesse certeza de que isso aconteceria. E não é que aconteceu? Em fevereiro começaram as inscrições para a nova turma que se abriria em abril, então me inscrevi... lembro que meu nome foi até o terceiro inscrito na lista.

Eis que ontem, sexta-feira 8 de abril, se iniciou as aulas da nova turma para iniciantes em Esperanto \o/ E lá estava eu, mesmo ter oscilado na decisão de ir, quase deixando para lá, mais uma vez. Consegui ir, embora tenha feito drama até na hora de me arrumar >.< Fiquei feliz de ver que não foi nada assustador como pensei que seria. Uma hora passou em 10 minutos!

Será que conseguirei dar continuidade? Tenho esse defeito típico de ariano: nunca continuar o que começa...

Sobre o Esperanto, a Língua Internacional da Fraternidade:

O Esperanto é um língua auxiliar iniciada e desenvolvida pelo médico polonês judeu Ludwik Lejzer Zamenhof no final do Século 19, sendo que o primeiro documento publicado foi em 1887.

Zamenhof desenvolveu o Esperanto para que se tornasse uma língua franca de fácil aprendizagem, na intenção de se tornar um segundo idioma em todas as nacionalidades como uma forma de comunicação e entendimento a nível universal. Pelo fato do próprio Zamenhof ter nascido e se criado em uma região complicada da Polônia, Bialystok, cidade pertencente ao Império Russo em que havia diversos idiomas, isso o motivou, desde tenra idade, a pensar em algo que fizesse as pessoas se comunicarem e se entenderem entre si.

O Esperanto é uma língua neutra, isto é, não possui nacionalidade, religião, etnia e interferência política. Atualmente é a 4ª língua mais falada no mundo e cogita-se, para daqui algumas décadas, que estará em primeiro lugar, quebrando assim a maior das dificuldades em interações humanas: a da comunicação!

Tanto o seu pioneiro, Zamenhof, quanto todos os Esperantistas pelo mundo, afirmam que o Esperanto é muito fácil de aprender e desenvolver, especialmente para nós, de língua latina, pois é calcada em até 110 idiomas, segundo o estudioso da língua André Cherpillod. Por isso que em uma pequena frase você sempre se depara com alguma palavra conhecida, seja do próprio latim, sejam de algum idioma que já ouvimos mesmo que poucas vezes, mas reconhecível. E, ao contrário do inglês e mesmo o português, a palavra é pronunciada como é escrita. Assim como em japonês, o ba, o ca, o za etc, tem realmente o som de ba, ca, za. Isso, de fato, facilita muito o aprendizado e o reconhecimento da palavra. Nunca consegui aprender inglês exatamente por isso: pois nunca compreendia o que era falado, embora eu consiga ler até uma carta simples com certa facilidade.

Em 1908, foi criada a Associação Universal de Esperando, UEA (de Universala Esperanto-Asocio), tendo em seus estatuto as quatro diretrizes principais:

  • divulgar o uso da língua internacional Esperanto;
  • atuar para a solução do problema linguístico nas relações internacionais e facilitar a comunicação internacional;
  • facilitar os relacionamentos espirituais e materiais de qualquer espécie entre os homens, apesar das diferenças de nacionalidade, raça, sexo, religião, política ou língua;
  • fazer crescer entre seus membros um sólido sentimento de solidariedade e desenvolver neles a compreensão e estima por outros povos. 
A interação ente os povos, por ocasião do Esperanto, já tem ocorrido em encontros anuais de Esperantistas e até entre povos indígenas, através do programa Diálogo Indígena, em que povos do mundo todo formam encontros para debater suas culturas usando o Esperanto ao invés da línguas dos colonizadores. 

E se você quer ter ideia do quão perigoso o Esperanto pode ser para o mundo, basta saber que ele já foi proibido e seus falantes perseguidos por figuras como Stalin e Hitler. Hoje o Esperanto está disseminado em 160 países, contando com milhões de falantes, sendo que cerca de mil já usam o usam como língua materna. O Brasil está entre os países que tem o maior número de esperantistas, estimando-se, no futuro, que será o país com maior contingente dentre todos.

E por falar em Brasil, o Movimento Espírita brasileiro é o principal responsável pela disseminação da língua em nosso país, embora o Esperanto não pertença a religião, país, política ou o que seja. O Esperanto pertence à Humanidade. Daí que ocorre o mal entendido, de dizerem que Esperanto é "língua espírita". Eu também achava isso, exatamente pela divulgação errônea até mesmo através de livros de cunho "espírita". Felizmente, a língua é totalmente neutra, tanto que há esperantistas de diversas etnias, religiões, nações que sequer sabem da existência do Espiritismo. Afinal, para se entender a Humanidade toda como sendo uma grande família, é necessário derrubar todos os conceitos que fazem distinção entre as pessoas.

Paramos por aqui, mas há muito mais a descobrir. Isso foi só o que deu pra saber com o primeiro dia de aula do curso para iniciantes. Retornaremos mais vezes com esse assunto, vi povas kredi! 



 







2 comentários:

Pietro Von Herts Júnior disse...

Estu bonvena al Esperantujo.
Seja bem vinda ao mundo do esperanto!

Talvez esse curso possa ser bastante útil:
www.Kurso.com.br

Pat Kovacs disse...

Muito obrigado, Pietro ^^

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