4 de mai de 2016

DIY - Faça Você Mesmo


Hoje em dia, em que encontramos tudo de tudo já lindo e prontinho ali na loja da esquina, perdemos quase que completamente o jeito de fazer aquilo que necessitamos com os recursos que dispomos, incluindo em 'recursos' a nossa própria capacidade mental e motora para executar trabalhos que eram feitos a olhos fechados até duas gerações passadas!

Em tão pouco tempo e parece que estamos voltando à Idade da Pedra, em que o homem, só um pouco mais que um símio, não sabia fazer nada e tinha que aprender e desenvolver habilidades para sobrevivência e facilitar um pouco só a sua vida árdua.

Já pensou nisso??

Já andei pensando que, se precisar fazer fogo sem o auxilio de um fósforo (com a caixinha, claro!) ou isqueiro, vou morrer de frio e comer comida crua! Eu não sei fazer fogo sem usar o fósforo e o isqueiro... você sabe??

Estamos cada vez mais mimados pelas facilidades do mundo moderno e pela tecnologia que dobra em avanços a cada ano. Podemos até dizer que a tecnologia deu saltos evolutivos nos últimos vinte anos, o que nos faz supor que seja mesmo alienígena :P

Enviamos mensagens para o mundo inteiro quase que na velocidade do pensamento, no entanto mal estamos sabendo como empunhar uma caneta.

Se estamos cada vez mimados por todas essas facilidades que suprem necessidades, em sua maioria, desnecessárias, por outro lado estamos cada vez mais incapacitados de fazer algo simples, como fazer um bolo ou uma pizza, ou fazer a bainha das calças e outras coisas do tipo. Quem ganha muito com isso é o mercado, que explora os poucos que ainda sabem como executar tais tarefas e nos cobra muito caro por aquilo que não sabemos fazer por nós mesmos.

Daí que alguns revoltados com o sistema resolveram criar um movimento chamado Do It Yourself, o Faça Você Mesmo, que começou a se popularizar a partir dos anos de 1970. Esse movimento subiu à categoria de "Filosofia de Vida", e tinha como principal característica o arregaçar das mangas e o meter a mão na massa, fazendo suas coisas de que necessitava ao invés de comprar novas e prontas na loja.

Ao meu ver, o movimento surgiu na época certa, muito antes de ter todas essas belezas que facilitam (ou não...) a vida da gente hoje em dia. Era para não termos nos deixado seduzir pelos encantos nocivos da passividade, mas pelo visto não funcionou muito bem... afinal o ser humano é preguiçoso e acomodado em seu íntimo, e se não é a Natureza ou as condições do mundo a impulsionar, a obrigar a andar para frente, essa criatura ainda estaria vivendo no alto das árvores e andando de quatro.

Mas ainda não estamos livres desse retrocesso na evolução humana. Há coisa boa e fácil demais hoje em dia. Para que, afinal, perder um maior tempão e material para fazer um bolo se posso comprar um muito melhor, que eu não conseguiria fazer igual, ali na loja da esquina?

Estou usando muito o alimento pronto como exemplo porque eu mesma sou do tipo que prefere ir na padaria comprar um bolo pronto e lindo do que meter a mão na massa para fazer. Prefiro comer um miojo do que preparar uma refeição decente. E isso incluí outras coisas, como roupas e acessórios, por exemplo. Podendo fazer e não sendo tão difícil de aprender, nenhum bicho de 7 cabeças, prefiro ir comprar pronto, pois é mais fácil e rápido, embora não necessariamente melhor.

E agora temos esse conceito Do It Yourself, ou simplesmente D.I.Y., que não é novo, mas está muito difundido e cada vez mais na moda nos dias de hoje, graças à internet - mas, acho, graças mesmo, aos produtos cada vez mais caros e cada vez mais de má qualidade... "Se é pra gastar dinheiro comprando uma porcaria que não vai durar nada, então faço eu mesmo com o que tenho por aqui" - ou mais ou menos isso.

Sem que percebamos, ainda fazemos por nossa própria conta e risco aquilo que não queremos (ou mais provável, não podemos) comprar na loja da esquina ou contratar de alguém. É dar um jeitinho aqui e ali para economizar os trocados. Entretanto, o conceito D.I.Y. vai além disso. Não se trata apenas em economizar moedas, nem fazer gambiarras e empurrar com a barriga enquanto der: trata-se realmente de criar, confeccionar e transformar coisas com as nossas próprias mãos, pois além de necessitarmos (ou não) do objeto, necessitamos (isso sim!) muito mais movimentar as nossas energias criativas, trabalharmos, em um só conjunto, a mente, o corpo e o espírito.

Portanto, o conceito do D.I.Y. - Do It Yourself - é exatamente Faça Você Mesmo aquilo que poderia pedir para outro fazer ou adquirir pronto, deixando a preguiça e o sentimento de incapacidade de lado, indo com a cara e a coragem de encontro aos pequenos projetos que podem modificar uma casa e até mesmo uma vida. O prazer que o trabalho proporciona e o orgasmo que é ao ver o trabalho concluído, vale mais que o prazer efêmero de comprar na loja.

Por sermos co-criadores, necessitamos exercitar o poder de criação. Como seres fadados ao progresso e à perfeição, necessitamos desafiar a nós mesmos no nosso dia-a-dia. Mesmo que se comece aos poucos, em pequenas coisas, acabaremos por crescer junto com a habilidade que será adquirida por todo esse processo de criação, invenção, transformação.

Então, Do It Yourself... Faça Você Mesmo e Seja Feliz!



 

 

Um comentário:

Jossi disse...

Oi, Pat! Boa dica... apesar de que ultimamente, eu mal consigo fazer a comida em casa, hehehe. Quanto mais 'artes manuais', coisa que eu fazia muito antigamente. Depois de perambular pelas artes manuais do crochê (aprendi pelo menos a fazer rendinha para pano de prato) e do tricô - tive uma máquina, fiz o curso e até criei vários modelitos em tricô, tanto de verão quanto de inverno, vc acredita? RSSS. Parece mentira... mas eu tinha paciência naquele tempo, porque o tricô é uma arte que necessita principalmente de paciência... muita mesmo. Eu aprendi num curso de 6 meses, o que rendeu muitos pares de meias, alguns conjuntos de saia e blusa, roupas para crianças e cachecóis. Acabou a farra quando comecei a vender... se é que consegui 'vender', já que os clientes compravam para pagar a perder de vista.

Depois dessas decepções, abandonei a máquina e o tricô. Quando casei, vendi a dita cuja pela metade do preço... doideira, né?

Mas fazer o quê. Eu precisava mais do dindim, e uma arte que não rende ou não paga nossas contas é quase inútil. Assim, adeus tricô...!

Mas tem quem seja dedicado, que curta com alegria e para esses eu dou parabéns. Aquilo que a gente faz por prazer, é o que vale.

Belo post!
Bjos

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